A ilha Graciosa acolheu as comemorações do 7.º Dia do Criador da Raça Ramo Grande, uma iniciativa que reuniu produtores agrícolas e pecuários, técnicos do setor, entidades ligadas à transformação e comercialização, bem como representantes institucionais, em torno da valorização de uma das raças bovinas mais emblemáticas dos Açores.
O programa teve início a 18 de outubro, com a visita a três explorações dedicadas à criação de bovinos da raça Ramo Grande. Seguiu-se uma visita guiada ao Museu da Graciosa, onde os participantes puderam conhecer factos relevantes da História e do Património Cultural da ilha, através da notável coleção de alfaias agrícolas do Museu. Estes objetos testemunham os diferentes ciclos produtivos anteriores à mecanização, numa época em que os bovinos Ramo Grande desempenhavam um papel primordial enquanto força de trabalho. O dia terminou com o tradicional Bodo de Leite e Desfile Etnográfico no centro da vila de Santa Cruz, culminando na atuação do Grupo Folclórico da Casa do Povo da Praia, que trouxe à celebração a autenticidade e a riqueza das tradições locais.
No dia 19 de outubro, teve lugar, no Centro Cultural da Ilha Graciosa, o colóquio "Ramo Grande: Património Genético, Qualidade e Resiliência", que contou com a presença de representantes das instituições envolvidas na organização do evento.
As comunicações apresentadas abordaram temas centrais para o futuro da raça e do setor. Foi destacada a importância da agricultura regenerativa como estratégia para aumentar a resiliência das explorações agrícolas, promovendo a saúde do solo, a sustentabilidade e a eficiência produtiva. Foram apresentados exemplos já implementados nos Açores e identificados próximos passos para apoiar agricultores, técnicos e decisores.
Outro ponto em destaque foi o equilíbrio entre a conservação e a valorização genética e cultural das raças autóctones, integrando inovação para garantir a sua continuidade. Enfatizou-se que a sustentabilidade destas raças assenta em quatro pilares essenciais: resiliência socioeconómica, saúde e bem-estar animal, eficiência produtiva e sustentabilidade ambiental. Sublinhou-se ainda que qualquer plano estratégico deve contemplar boas práticas e tecnologias inovadoras que reforcem estes objetivos, assegurando a preservação das raças no longo prazo.
Foi igualmente apresentado o projeto "Carnes da Montanha", reconhecido como referência na valorização e comercialização de carne de raças autóctones. O projeto tem acompanhado a evolução do mercado, incluindo a aposta no comércio online, respondendo às novas tendências de consumo com produtos diferenciados e de elevada qualidade.
Ao longo do colóquio, foi reiterada a importância da raça Ramo Grande enquanto símbolo de identidade rural, resiliência e biodiversidade. O evento destacou também o papel determinante dos produtores e das entidades parceiras na sua preservação e valorização, reforçando o compromisso coletivo com este património genético singular.
Programa do 7º Dia do Criador da Raça Ramo Grande
